domingo, 11 de janeiro de 2015

DEPOIS DA CHUVA – Bebeto Alves












      Um artista com alma fronteiriça.
      O LP “Pegadas” de Bebeto Alves traz a baila um Bebeto purificado após seu pequeno “retiro” pelas bandas do “Tio Sam”.
       A música em questão chama-se “Depois da chuva”, trata-se dos mesmos motivos que fazem a Fenix reestabelecer-se.
       Ela inicia-se assim:

    “ Não vou morrer
       Depois da chuva
       Como um domingo
       Não vou morrer ”
    
      Nesse quarteto Bebeto Alves leva o significante morte, chuva e domingo ao alge da depressão.
      O Domingo e o extrato da possibilidade perdida de um próspero sábado que passou.
      Na quadra seguinte eleva a morte para o resultado desta, ou seja, quem sofre a ação da morte. O ser que morre:

     “ Não vou morrer
        Isso é um insulto
        Sob esse viaduto
        Não vou morrer ”

      Na quadra acima vemos inferências da ação morte e trocadilho subliminar de sobre por sob. Um suicídio é consumado sobre e não sob um viaduto.
      Quem conhece Porto Alegre e sua cultura autossuficiente visualiza o viaduto Otávio Rocha na canção de Bebeto Alves.
      Seguindo a letra temos:
     “ A cidade escura
       E imunda é que está
       A apodrecer ”

     No trecho  acima ele queixa-se de Porto Alegre, cidade qual teria abandonado um ano antes e teve que voltar, porém  produzindo, cantando e gravando.
   
   “ Mas vem a chuva vem
     As pedras vão rolar
     Rolam pedras sim
     Rolam em mim ”

     Nessa quadra que acabamos de ler pode-se supor a passagem do tempo e dos fatos no signo da pedra.
     Vida e fatos sucedem-se em todo ser vivente,ou seja, o tempo e os fatos da vida atuam em todos.
 
     “ Eu não vou morrer
        Desaparecer
        Na palavra "fim", baby
        Escrita em algum lugar ”

      Apesar de Bebeto Alves nunca ter entendido por que não despontou nacionalmente desde o “LP” “Paralelo 30”, ele nunca desistiu, não pereceu e nunca perecerá na palavra fim.

     Bebeto Alves dizia que seus discos eram como “discos voadores”. As pessoas sabem que existe, mas nunca viram.
      Um comentário inverídico do próprio artista que é um dos baluartes da música gaúcha e nacional.



                        








                                                            Música: Depois da chuva
                                                            Compositor: Bebeto Alves
                                                            Lp: Pegadas ( Ao vivo no Porto de Elis )
                                                            Ano: 1987


Não vou morrer
Depois da chuva
Como um domingo
Não vou morrer
Não vou morrer
Isso é um insulto
Sob esse viaduto
Não vou morrer

A cidade escura
E imunda é que está
A apodrecer
Mas vem a chuva, vem
As pedras rolar
Rolam pedras, sim...
Rolam em mim

Eu não vou morrer,
Desaparecer...
Na palavra "fim", baby
Escrita em algum lugar







quinta-feira, 4 de setembro de 2014

HOMEM DE TRINTA - SÉRGIO SAMPAIO




    Ouvindo Sérgio Sampaio, a música  chama-se “Homem de trinta”, maravilhosa.
    “Homem de trinta” retrata um Sampaio querendo ser mais responsável e reflexivo.
    A letra expõe o compositor revigorado, porém, ressentido por estar de fora do “mainstrean”.
    O fato de estar com trinta anos faz a maioria refletir sobre tal idade. Até para os que ainda não chegaram a ela.
    “Serjão” aos trinta anos estava mais calmo, solitário de amigos, contanto apenas com esposa e filhos. Fase que durou muito pouco.
    Sérgio Sampaio infelizmente morreu antes de concretizar o tão esperado disco com a gravadora “baratos afins”.

   “Homem de trinta”. Uma pérola na ostra digital que poderá ser redescoberta.



                                             HOMEM DE TRINTA

                                             Música; Sérgio Sampaio
                                             Letra;    Sérgio Sampaio
                                             
                                             LP ; "Sinceramente"
                                             Ano ; 1982


Quase que eu fui pro buraco
Por pouco não fui morar no porão
Dancei mas não sei não
tive cuidado
De ter os pés quase sempre no chão
E a cabeça voando como se voa na imaginação
Longe do resto do bando
Mas sempre perto do meu coração

Depois de algum tempo nisso
Indo no fundo e voltando pra ver
Eu me descubro, amor, dentro do vício
Maravilhosamente a renascer. . .
Amando a vida como ama
o entalhador um pedaço de pau
o pescador o seu rio
e o sofredor sua mulher fatal

Hoje com os olhos mais claros
olhando as coisas como as coisas são
Eu me desenho, amor, como se pinta um quadro novo com o brilho e a cor
De todo homem de trinta. . . Trinta moleques que o tempo criou
E muito embora eu não sinta
Eu sei que eu sou o que eu fui e o que sou

Tenho almoçado e jantado
Tenho tomado café da manhã
Barra pesada não, muito obrigado
Tenho levado uma vida sã
Tenho tomado algumas
E tenho amado uma mesma mulher
Eu tenho andado sem turma

Mas solitário eu sei que não dá pé. . .

                                               

segunda-feira, 7 de julho de 2014

SANGRANDO - GONZAGUINHA



                                         



        Faixa do disco "De volta ao começo", música visceral, profunda e corajosa.
        MarcosRodrigues trabalha em seu texto a parte da “transpiração” no processo de composição musical, a principal. Sem execução não há produto, como diz a bíblia: - No início era o verbo. Verbo é ação.
        A música “Sangrando” fala da parte emocional de uma letra de música, a entrega.
        Todo criador de arte, de qualquer uma de suas formas, só tem um trabalho digno de ser chamado de tal quando há entrega.
        Aristóteles já ensinava na antiga Grécia que arte é imitação, ou seja, verossimilhança. “Sangrando” tem todos esses elementos.
        Segue a letra da canção:

                                         
                                           SANGRANDO
                                           Música: Gonzaguinha
                                           Letra: Gonzaguinha
                                           Lp: De volta ao começo
                                           Ano:1980




Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se entregando

Coração na boca
Peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando

Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo

Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda a nossa emoção

E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante, cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar

Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar

      Podemos inferir que a letra fala do valor de uma obra original. Uma vida não é igual a outra.
Falar de erros, ideias e opiniões e nada mais do que se expor ao julgamento alheio.
      O compositor sincero usa sua vida como matéria prima, a emoção dos palcos onde o resultado do trabalho e executado.
      O refrão sugere a emoção extravasada em lágrimas.
      Não se pode  esquecer que além de conviver na periferia Gonzaguinha tinha posições políticas de esquerda, o que lhe rendeu diversas letras censuradas.
      O final da letra que ele encerra separando com uma virgula as palavras finais: “o que é amar.Resumindo, toda a canção é sua forma de amar.
      Amar é vida, vida é entrega, quando a pessoa se entrega é como se ela sangrasse.





sexta-feira, 25 de abril de 2014

Pavão Mysteriozo - EDNARDO



    Baixei em MP3 via “torrente” é claro, o Long Play (LP) de Ednardo intitulado “O romance do Pavão mysterioso”.
    O LP já identifica que Ednardo pertence ao grupo denominado “Pessoal do Ceará”. Além dessa particularidade o LP carrega o mesmo nome de um conto de cordel de João Melchíades Ferreira da Silva porém a palavra misterioso vem grafada com um “Y” em vez de “i” na primeira sílaba.
    Gramatiquices a parte, o LP traz o nome de um conto onde há praticamente quatro personagens. Dois irmão, uma bela  moça e um conde.
    Resumidamente, o conto trata da epopeia de um rapaz que se apaixonou por uma foto presenteada por seu irmão quando este fora viajar para conhecer o mundo e não ser como um inseto em volta da lâmpada.
    Quando o irmão do herói do conto lhe entrega a foto ele sai ao encontro de sua futura esposa e a fúria de seu pai, um conde malvado.
    Para ter êxito em sua empreitada o rapaz recebe ajuda de um inventor talentoso que lhe constrói uma espécie de helicóptero denominado “Pavão misterioso”.
    Na música de Ednardo, além da referência ao conto, é possível fazer inferências de crítica ao regime militar vigente na época e com o recrudescimento da violência com o Ato institucional número cinco (AI-5).
    Por incrível que pareça, a música agradou os setores apoiadores da ditadura militar brasileira e foi tema de abertura da novela “Saramandaia” exibida na rede Globo. Novela que tem como fio condutor um roteiro baseado na literatura fantástica.
    Alexandre Ayub em seu livro “A militarização das artes”, cita “Pavão Mysterioso” como um dos baluartes contra a truculência verde-oliva.

     A música é considerada sagrada pelos índios do xingu em rituais religiosos.
     Além de toda essa carga semântica,  “Pavão Mysterioso” de Ednardo é escrito com “Y” na primeira sílaba. .Será que poderíamos interpretar como um anagrama para “Myster Zóio” como o desenho da capa denuncia? Quem sempre espionou o Brasil e apoiou a operação “Condor”? Prefiro o Pavão.


PAVÃO MYSTERIOSO
Música: Ednardo
Letra: Ednardo
Lp: O romance do pavão mysterioso
Ano:1974



Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse teu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...

Pavão misterioso
Nessa cauda
Aberta em leque
Me guarda moleque
De eterno brincar
Me poupa do vexame
De morrer tão moço
Muita coisa ainda
Quero olhar...

Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse seu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...

Pavão misterioso
Pássaro formoso
No escuro dessa noite
Me ajuda, cantar
Derrama essas faíscas
Despeja esse trovão
Desmancha isso tudo, oh!
Que não é certo não...

Pavão misterioso
Pássaro formoso
Um conde raivoso
Não tarda a chegar
Não temas minha donzela
Nossa sorte nessa guerra
Eles são muitos

Mas não podem voar..

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

MANÁ - RODRIGO AMARANTE-



                                       Música: Maná
                                       Artista : Rodrigo Amarante
                                       CD: CAVALO
                                       ANO: 2013

    O CD “Cavalo” de Rodrigo Amarante tem a sonoridade que nos remete a uma bucólica manhã serrana de um “friozinho” gostoso com um sol acolhedor.
   Simbiose entre  ritmos e idéias o disco traz letras em inglês,francês e português.
   O humor do Cd está entre o pensativo e o viajante e podemos supor,nunca afirmar que temos um Amarante mais viajado,sofrido e evoluído e outros atributos que só o tempo decora uma alma, principalmente um artista.
   A viagem na letra será a música Maná.

Ê, maná
Hoje o ponto é pra cura de amor
Ê, maná, ô, má
Hoje a dança te quebra o feitiço
Deixa a porta bater
Deixa o vento levar
Quem não desce a ribeira
Não chega no mar
O amor é coragem
É feitiço da sorte
Mas o ponto mais forte
É saber se amar
Ê, maná
Hoje o ponto é pra cura de amor
Ê, maná, ô, má
Hoje a dança te quebra o feitiço
Ê, maná
Hoje o ponto é pra cura de amor
Ê, maná, ô, má
Hoje a dança te quebra o feitiço
Ê, maná
Hoje o ponto é pra cura de amor
Ê, maná, ô, má
Hoje a dança te quebra o feitiço


   Maná foi uma homenagem para a irmã de amarante chamada Marcela.
   Além de uma brincadeira fonética com o apelido da irmã “Ma” de Marcela,o maná tem sua significação na bíblia onde o maná é descrito como um alimento produzido milagrosamente, sendo fornecido por Deus ao povo Israelita, liderado por Moisés, durante sua estada no deserto rumo à terra prometida.
  Maná propõe uma libertação de vontade e desejo quando entoa “Deixa a porta bater/ Deixa o vento levar / Quem não desce a ribeira / Não chega no mar”.
 A sugestão é deixar acontecer quando ele atribui que na vida como no amor ter coragem para o desconhecido e acima de tudo se aceitar como sugere os versos “O amor é coragem / É feitiço da sorte / Mas o ponto mais forte / É saber se amar”.
Letra simples,profunda e direta é o que encontramos em maná.
O encantamento de ritmo que inicia em um Samba-roque com uma rabeca “Jorgemautnerniana” onde a sonoridade vai da senzala até a casa grande.  

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

MEU AMIGO PEDRO - Raul Seixas






   
      Clássica música dos geniais Raul Seixas e Paulo Coelho, a letra da canção trata das diferenças de visões de mundo e conflito de gerações.
      Raul dedica esta canção ao seu irmão Plínio, que, diferente de Raulzito, tomou um rumo mais “normal” na vida.
     Por outro lado, a concepção da letra teve a importantíssima colaboração de dom Paulete (apelido dado por Raul a Paulo Coelho), o lendário parceiro do maluco beleza.
     Pelo lado de Paulo, a canção expõe a conturbada relação de amor e sofrimento que o mago teve com seu velho e imponente pai, o senhor Pedro Queima Coelho.
     Na infância, adolescência e até no início de sua juventude, o velho Pedro não conseguia entender o universo do seu esquisito filho, chegou a internar o futuro escritor em uma clínica psiquiátrica com tratamento muitas vezes a base de eletro choque.
     No documentário Raul- o início, o fim e o meio, Plínio Seixas afirma que tal música fora feita para ele, e que gosta da mesma.
     Na biografia “O mago”, de Fernando Morais, ele revela que a letra fora feita para o pai de Paulo Coelho, o senhor Pedro Queima Coelho.
     Óbvio que o nome Pedro fora devido ao parceiro de Raul ter criado o “esqueleto" da letra, mas, Raulzito colocou elementos e a parte musical para assim também estender a música ao irmão mais novo, e assim, transformando “Meu amigo Pedro” em uma obra de arte, pois, um dos pilares da arte é sua plurissignificância.
    “Meu amigo Pedro”, composta nos anos 70, período que Raul e Paulo mergulharam de cabeça na “Lei de Thelema” , porém, resultou em esta grande composição para a música popular brasileira e também para o rock and roll brasileiro, ou, como preferia o baiano, um ye ye ye realista.


MEU AMIGO PEDRO

Música: Raul seixas

Letra: Raul seixas e Paulo Coelho

Lp: Há 10 mil anos atrás

Ano:1973



Muitas vezes, Pedro, você fala

Sempre a se queixar da solidão

Quem te fez com ferro, fez com fogo, Pedro

É pena que você não sabe não

Vai pro seu trabalho todo dia

Sem saber se é bom ou se é ruim

Quando quer chorar vai ao banheiro

Pedro, as coisas não são bem assim

Toda vez que eu sinto o paraíso

Ou me queimo torto no inferno

Eu penso em você, meu pobre amigo

Que só usa sempre o mesmo terno

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Mas tudo acaba onde começou

Tente me ensinar das tuas coisas

Que a vida é séria e a guerra é dura

Mas se não puder, cale essa boca, Pedro

E deixa eu viver minha loucura

Lembro, Pedro, aqueles velhos dias

Quando os dois pensavam sobre o mundo

Hoje eu te chamo de careta, Pedro

Que você me chama vagabundo

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Mas tudo acaba onde começou

Todos os caminhos são iguais

O que leva à glória ou à perdição

Há tantos caminhos, tantas portas

Mas somente um tem coração

E eu não tenho nada a te dizer

Mas não me critique como eu sou

Cada um de nós é um universo, Pedro

Onde você vai eu também vou

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Mas tudo acaba onde começou

É que tudo acaba onde começou



Compositores: Paulo Souza / Paulo Coelho De Souza / Raul Seixas / Raul Santos Seixas

Letra de Meu amigo pedro © Warner/Chappell Music, Inc

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O FILHO QUE EU QUERO TER - Toquinho e Vinícius










O FILHO QUE EU QUERO TERComposição: Vinícius de Moraes e Toquinho


É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer


Pois eu também dei de sonhar um sonho lindo de morrer


Vejo um berço e nele eu me debruçar com o pranto a me correr


E assim chorando acalentar o filho que eu quero ter


Dorme, meu pequenininho, dorme que a noite já vem


Teu pai está muito sozinho de tanto amor que ele tem
De repente eu vejo se transformar num menino igual à mim


Que vem correndo me beijar quando eu chegar lá de onde eu vim


Um menino sempre a me perguntar um porque que não tem fim
Um filho a quem só queira bem e a quem só diga que sim


Dorme menino levado, dorme que a vida já vem


Teu pai está muito cansado de tanta dor que ele tem
Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu


Sentir-lhe a barba me roçar no derradeiro bei..jo seu


E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus


Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus


Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer


Teu filho sonha acordado, com o filho que ele quer Ter.

*
*
*




    Existem músicas que falam por sí só, caso desta pérola da MPB de nosso poeta Vinícius de Moraes.
    Essa letra se deu quando Toquinho pelos idos de 1974 confessou a Vinícius o desejo de ter um filho.
    Vinícius respondeu:
    -Que ótimo! Vamos sonhar com esse momento.
    Na letra ele desacreve o sonho de ver um bebê  no berço, cenário paterno perfeito do tão sonhado acalanto que todo pai faz.

    Em estrofes seguintes descreve as semelhanças que os pais procuram reconhecer no filho seja de sangue ou não. A
fase dos porquês e todas as dúvidas da infância e adolescência que os pais sentem em relação aos seus filhos.

   Já na estrofe final se mostra a obra prima.
   Todos nós vamos morrer e seu filho continuará nessa vida.
   Sentir a barba de seu filho já adulto a beijar seu rosto e ver escurecer lentamente seus olhos  sendo fechado pelas mãos dele lhe dano último adeus.
   Muita emoção em um poeta só.


DISCOGRAFIA DE VINÍCIUS EM: