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quinta-feira, 7 de junho de 2018

Tudo está no seu lugar





 Lula na senzala
   Temer na varanda
    Casa grande clama
  Louros da vitória

Na senzala Lula
   Na varanda Temer
      Casa grande: Louros
Clamam a vitória




Olá caros viajantes das letras,
O Blog é dedicado a letra de música, mas devido ao risco que corre a democracia, este blog faz um apelo para a poesia.








quinta-feira, 2 de março de 2017

Estranhas coincidências - Guilherme Rondon e Paulo Simões



     Gravado ao vivo no museu da imagem e do som de São Paulo (M.I.S), sob a direção musical de Guilherme Rondon, O long play “Pantanal alerta Brasil” é um dos projetos significativos musicais no que tange a ecologia, e que foi muito além do LP.
     A canção analisada, “estranhas coincidências”, já iniciara exitosa pelos músicos que a compuseram, Guilherme Rondon e Paulinho Simões.
    A música fora executada por João Figar, Guilherme Rondon, Toninho Porto, Celito e Geraldo Espíndola.
   Letra amorosa e gnóstica, faz alusão utilizando elementos do imaginário pantaneiro e por que não dizer do centro-oeste onde a cultura popular é permeada de misticismo e religião.
   Nessa letra poderia ser possível que os autores fizeram menção a linguagem dos sinais.
   Nessa perspectiva, deus, cosmos ou qualquer outro nome para o suposto criador utiliza-se das coincidências como signos linguísticos para conversar com os mortais e se possível oferecer-lhes conselhos.
   Em estranhas coincidências, o eu lírico da canção informa ao ouvinte que o tempo é contínuo, sem retorno.
   Essa experiência ocidental de tempo contrasta com a do indígena que assimila o tempo cronológico de outra maneira, impossível de ser absorvida pelo homem rural ou urbano.
   Na segunda oitava da letra da canção, os versos abordam os sinais físicos, catástrofes e os inúmeros profetas apocalípticos, Paulo Simões retomara esse tema na música “sete sinais’ que compusera em parceria com Almir Sater. Nesse conjunto de oito versos a letra sugere que as pessoas estão ‘cegas’ por que há muita informação, muita luz e pouca reflexão ao assimilar as notícias que são absorvidas pelas pessoas em geral: “ – quando as luzes são intensas cegam nosso olhar”...
   O refrão composto por seis versos encerra de modo gnóstico, místico e metafórico ao afirmar que se os deuses não omitissem as respostas procuradas pelo homem pós renascentista, gutembergueano e capitalista poderíamos perceber nossa fragilidade, efemeridade e impotência diante de acontecimentos motivados por forças maiores.
                      " Somos distraídas crianças num carrossel que não sabemos deter"
   Além dessa reflexão com o metafísico, a letra dessa música faz um mea culpa do ser humano e a degradação do seu próprio habitat.
   O carrossel é a vida, o tempo cronológico entre a concepção e o óbito.
   A ilusão de um “muro” entre a infância e a vida adulta é desfeita pelo viés gnóstico que entende que a alma não perece ou envelhece.
  Independente da visão semiótica que se aborda a canção, o9 deleite de escuta-la é atitude quase obrigatória para conhecer a arte pantaneira, ecológica, mística, gnóstica sul-mato-grossense.



Estranhas Coincidências

Estranhas coincidências
Insistem em revelar
Essa triste consciência
De termos tão pouco a salvar
Idade da inocência
Não há como retornar
Nem distâncias tão imensas
Pra se caminhar
Estranhas coincidências
Palavras soltas no ar
São sinais e advertências
De tudo que vai ter lugar
Avisos e profecias
Tentamos ignorar
Quando as luzes são intensas
Cegam nosso olhar

Se os deuses não guardassem
Alguns mistérios no céu
Seria simples se perceber
Que somos distraídas crianças
Num carrossel
Que não sabemos deter




segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

MANÁ - RODRIGO AMARANTE-



                                       Música: Maná
                                       Artista : Rodrigo Amarante
                                       CD: CAVALO
                                       ANO: 2013

    O CD “Cavalo” de Rodrigo Amarante tem a sonoridade que nos remete a uma bucólica manhã serrana de um “friozinho” gostoso com um sol acolhedor.
   Simbiose entre  ritmos e idéias o disco traz letras em inglês,francês e português.
   O humor do Cd está entre o pensativo e o viajante e podemos supor,nunca afirmar que temos um Amarante mais viajado,sofrido e evoluído e outros atributos que só o tempo decora uma alma, principalmente um artista.
   A viagem na letra será a música Maná.

Ê, maná
Hoje o ponto é pra cura de amor
Ê, maná, ô, má
Hoje a dança te quebra o feitiço
Deixa a porta bater
Deixa o vento levar
Quem não desce a ribeira
Não chega no mar
O amor é coragem
É feitiço da sorte
Mas o ponto mais forte
É saber se amar
Ê, maná
Hoje o ponto é pra cura de amor
Ê, maná, ô, má
Hoje a dança te quebra o feitiço
Ê, maná
Hoje o ponto é pra cura de amor
Ê, maná, ô, má
Hoje a dança te quebra o feitiço
Ê, maná
Hoje o ponto é pra cura de amor
Ê, maná, ô, má
Hoje a dança te quebra o feitiço


   Maná foi uma homenagem para a irmã de amarante chamada Marcela.
   Além de uma brincadeira fonética com o apelido da irmã “Ma” de Marcela,o maná tem sua significação na bíblia onde o maná é descrito como um alimento produzido milagrosamente, sendo fornecido por Deus ao povo Israelita, liderado por Moisés, durante sua estada no deserto rumo à terra prometida.
  Maná propõe uma libertação de vontade e desejo quando entoa “Deixa a porta bater/ Deixa o vento levar / Quem não desce a ribeira / Não chega no mar”.
 A sugestão é deixar acontecer quando ele atribui que na vida como no amor ter coragem para o desconhecido e acima de tudo se aceitar como sugere os versos “O amor é coragem / É feitiço da sorte / Mas o ponto mais forte / É saber se amar”.
Letra simples,profunda e direta é o que encontramos em maná.
O encantamento de ritmo que inicia em um Samba-roque com uma rabeca “Jorgemautnerniana” onde a sonoridade vai da senzala até a casa grande.  

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

MEU AMIGO PEDRO - Raul Seixas






   
      Clássica música dos geniais Raul Seixas e Paulo Coelho, a letra da canção trata das diferenças de visões de mundo e conflito de gerações.
      Raul dedica esta canção ao seu irmão Plínio, que, diferente de Raulzito, tomou um rumo mais “normal” na vida.
     Por outro lado, a concepção da letra teve a importantíssima colaboração de dom Paulete (apelido dado por Raul a Paulo Coelho), o lendário parceiro do maluco beleza.
     Pelo lado de Paulo, a canção expõe a conturbada relação de amor e sofrimento que o mago teve com seu velho e imponente pai, o senhor Pedro Queima Coelho.
     Na infância, adolescência e até no início de sua juventude, o velho Pedro não conseguia entender o universo do seu esquisito filho, chegou a internar o futuro escritor em uma clínica psiquiátrica com tratamento muitas vezes a base de eletro choque.
     No documentário Raul- o início, o fim e o meio, Plínio Seixas afirma que tal música fora feita para ele, e que gosta da mesma.
     Na biografia “O mago”, de Fernando Morais, ele revela que a letra fora feita para o pai de Paulo Coelho, o senhor Pedro Queima Coelho.
     Óbvio que o nome Pedro fora devido ao parceiro de Raul ter criado o “esqueleto" da letra, mas, Raulzito colocou elementos e a parte musical para assim também estender a música ao irmão mais novo, e assim, transformando “Meu amigo Pedro” em uma obra de arte, pois, um dos pilares da arte é sua plurissignificância.
    “Meu amigo Pedro”, composta nos anos 70, período que Raul e Paulo mergulharam de cabeça na “Lei de Thelema” , porém, resultou em esta grande composição para a música popular brasileira e também para o rock and roll brasileiro, ou, como preferia o baiano, um ye ye ye realista.


MEU AMIGO PEDRO

Música: Raul seixas

Letra: Raul seixas e Paulo Coelho

Lp: Há 10 mil anos atrás

Ano:1973



Muitas vezes, Pedro, você fala

Sempre a se queixar da solidão

Quem te fez com ferro, fez com fogo, Pedro

É pena que você não sabe não

Vai pro seu trabalho todo dia

Sem saber se é bom ou se é ruim

Quando quer chorar vai ao banheiro

Pedro, as coisas não são bem assim

Toda vez que eu sinto o paraíso

Ou me queimo torto no inferno

Eu penso em você, meu pobre amigo

Que só usa sempre o mesmo terno

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Mas tudo acaba onde começou

Tente me ensinar das tuas coisas

Que a vida é séria e a guerra é dura

Mas se não puder, cale essa boca, Pedro

E deixa eu viver minha loucura

Lembro, Pedro, aqueles velhos dias

Quando os dois pensavam sobre o mundo

Hoje eu te chamo de careta, Pedro

Que você me chama vagabundo

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Mas tudo acaba onde começou

Todos os caminhos são iguais

O que leva à glória ou à perdição

Há tantos caminhos, tantas portas

Mas somente um tem coração

E eu não tenho nada a te dizer

Mas não me critique como eu sou

Cada um de nós é um universo, Pedro

Onde você vai eu também vou

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Pedro, onde 'cê vai eu também vou

Mas tudo acaba onde começou

É que tudo acaba onde começou



Compositores: Paulo Souza / Paulo Coelho De Souza / Raul Seixas / Raul Santos Seixas

Letra de Meu amigo pedro © Warner/Chappell Music, Inc

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O FILHO QUE EU QUERO TER - Toquinho e Vinícius










O FILHO QUE EU QUERO TERComposição: Vinícius de Moraes e Toquinho


É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer


Pois eu também dei de sonhar um sonho lindo de morrer


Vejo um berço e nele eu me debruçar com o pranto a me correr


E assim chorando acalentar o filho que eu quero ter


Dorme, meu pequenininho, dorme que a noite já vem


Teu pai está muito sozinho de tanto amor que ele tem
De repente eu vejo se transformar num menino igual à mim


Que vem correndo me beijar quando eu chegar lá de onde eu vim


Um menino sempre a me perguntar um porque que não tem fim
Um filho a quem só queira bem e a quem só diga que sim


Dorme menino levado, dorme que a vida já vem


Teu pai está muito cansado de tanta dor que ele tem
Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu


Sentir-lhe a barba me roçar no derradeiro bei..jo seu


E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus


Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus


Dorme meu pai sem cuidado, dorme que ao entardecer


Teu filho sonha acordado, com o filho que ele quer Ter.

*
*
*




    Existem músicas que falam por sí só, caso desta pérola da MPB de nosso poeta Vinícius de Moraes.
    Essa letra se deu quando Toquinho pelos idos de 1974 confessou a Vinícius o desejo de ter um filho.
    Vinícius respondeu:
    -Que ótimo! Vamos sonhar com esse momento.
    Na letra ele desacreve o sonho de ver um bebê  no berço, cenário paterno perfeito do tão sonhado acalanto que todo pai faz.

    Em estrofes seguintes descreve as semelhanças que os pais procuram reconhecer no filho seja de sangue ou não. A
fase dos porquês e todas as dúvidas da infância e adolescência que os pais sentem em relação aos seus filhos.

   Já na estrofe final se mostra a obra prima.
   Todos nós vamos morrer e seu filho continuará nessa vida.
   Sentir a barba de seu filho já adulto a beijar seu rosto e ver escurecer lentamente seus olhos  sendo fechado pelas mãos dele lhe dano último adeus.
   Muita emoção em um poeta só.


DISCOGRAFIA DE VINÍCIUS EM:

quarta-feira, 8 de abril de 2009

SINDROME DE ABSTINÊNCIA (Nei Lisboa)

Gravado em junho e julho de 1983 em são Paulo.
Disco feito por bônus (Compra antecipada) pela "Lance Livre" produções.



SINDROME DE ABSTINÊNCIA



Se essa seca durar mais um mês


Vou-me embora para o Paraguai


Vou de muda para o Maranhão


Que aqui não tem vez


Que aqui não dá mais


A cabeça não 'güenta não


Dias de outono, de amargura


Lembro dos tempos de fartura


Maria, Joana, todo mundo tinha


Um quarto só pra nós


Um quarto pros convivas


Cabeças tão ativas


Todo mundo dando vivas


Se essa seca...


*


*


*


*

Música que fala da escasses de "fumo' no Rio grande do Sul nos anos oitenta, por isso ele cita maranhão e paraguay como possíveis oásis dos adoradores da expanção mental.

O apelo mais dramático e engraçado é quando ele clama por "Maria Joana".

Uma época em que todos tinham um quarto de fumo para fumar e delirar e todos davam vivas, paracendo um cenário de "Hair" gaudério.

Muito divertida, apesar que Nei Lisboa está mais calmo em relação a isso.

Disco:Pra viajar no cosmos não precisa gasolina

Ano 1983


Nei Lisboa:Voz


Augusto Licks:guitarra, violão, charango e vocais


Glauco Sagebin: Piano


Lucio Vargas: Baixo elétrico


Fernando Paiva:tumbadoras


Marco Bosco:Reco-reco, Claves e efeitos


Claudia Figueiredo: Vocais


Naná Correa : Vocais