quinta-feira, 14 de novembro de 2013

MEU AMIGO PEDRO - Raul Seixas




    
     Clássica música do genial Raul Seixas e Paulo Coelho que trata das diferenças de visões de mundo e conflito de gerações.

      Raul dedica esta canção ao seu irmão Plínio, que, diferente de Raulzito tomou um rumo mais “normal” na vida.

     Por outro lado a concepção da letra teve a importantíssima colaboração de dom Paulete - apelido dado por Raul à Paulo Coelho-, o lendário parceiro do maluco beleza.

    Pelo lado de Paulo a canção expõe a conturbada relação de amor e sofrimento que o mago teve com seu velho e imponente pai.

    Na infância, adolescência e até no início de sua juventude o velho pai do escritor não conseguia entender o universo do seu esquisito filho, chegou mesmo a internar o mesmo em uma clínica psiquiátrica com tratamento baseado na terapia de eletro choque.

   No documentário Raul- o início, o fim e o meio, Plínio Seixas afirma que tal música fora feita para ele e que gosta da mesma.

     Na biografia “O mago” de Fernando Morais, ele revela que a letra fora feita para o pai de Paulo Coelho, o senhor Pedro Queima Coelho.

     Óbvio que o nome Pedro fora devido ao parceiro de Raul ter criado o “esqueleto" da letra, mas, Raulzito colocou elementos e a parte musical para assim também estender a música ao irmão mais novo e assim transformando “Meu amigo Pedro” em uma obra de arte, pois, um dos pilares da arte é sua plurissignificância.
   
    “Meu amigo Pedro”, composta nos anos 70 quando Raul e Paulo mergulharam de cabeça na “Lei de Thelema” que resultou em grande composição para a música popular brasileira e o rock and roll brasileiro, ou, como preferia o baiano, um ye ye ye realista.

]
MEU AMIGO PEDRO
Música: Raul seixas
Letra: Raul seixas e Paulo Coelho
Lp: Há 10 mil anos atrás
Ano:1973


Muitas vezes, Pedro, você fala
Sempre a se queixar da solidão
Quem te fez com ferro, fez com fogo, Pedro
É pena que você não sabe não

Vai pro seu trabalho todo dia
Sem saber se é bom ou se é ruim
Quando quer chorar vai ao banheiro
Pedro as coisas não são bem assim

Toda vez que eu sinto o paraíso
Ou me queimo torto no inferno
Eu penso em você meu pobre amigo
Que só usa sempre o mesmo terno

Pedro, onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou

Tente me ensinar das tuas coisas
Que a vida é séria, e a guerra é dura
Mas se não puder, cale essa boca, Pedro
E deixa eu viver minha loucura

Lembro, Pedro, aqueles velhos dias
Quando os dois pensavam sobre o mundo
Hoje eu te chamo de careta, Pedro
E você me chama vagabundo

Pedro, onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou

Todos os caminhos são iguais
O que leva à glória ou à perdição
Há tantos caminhos tantas portas
Mas somente um tem coração

E eu não tenho nada a te dizer
Mas não me critique como eu sou
Cada um de nós é um universo, Pedro
Onde você vai eu também vou

Pedro, onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou

É que tudo acaba onde começou
Meu amigo Pedro