quinta-feira, 4 de setembro de 2014

HOMEM DE TRINTA - SÉRGIO SAMPAIO




    Ouvindo Sérgio Sampaio, a música  chama-se “Homem de trinta”, maravilhosa.
    “Homem de trinta” retrata um Sampaio querendo ser mais responsável e reflexivo.
    A letra expõe o compositor revigorado, porém, ressentido por estar de fora do “mainstrean”.
    O fato de estar com trinta anos faz a maioria refletir sobre tal idade. Até para os que ainda não chegaram a ela.
    “Serjão” aos trinta anos estava mais calmo, solitário de amigos, contanto apenas com esposa e filhos. Fase que durou muito pouco.
    Sérgio Sampaio infelizmente morreu antes de concretizar o tão esperado disco com a gravadora “baratos afins”.

   “Homem de trinta”. Uma pérola na ostra digital que poderá ser redescoberta.



                                             HOMEM DE TRINTA

                                             Música; Sérgio Sampaio
                                             Letra;    Sérgio Sampaio
                                             
                                             LP ; "Sinceramente"
                                             Ano ; 1982


Quase que eu fui pro buraco
Por pouco não fui morar no porão
Dancei mas não sei não
tive cuidado
De ter os pés quase sempre no chão
E a cabeça voando como se voa na imaginação
Longe do resto do bando
Mas sempre perto do meu coração

Depois de algum tempo nisso
Indo no fundo e voltando pra ver
Eu me descubro, amor, dentro do vício
Maravilhosamente a renascer. . .
Amando a vida como ama
o entalhador um pedaço de pau
o pescador o seu rio
e o sofredor sua mulher fatal

Hoje com os olhos mais claros
olhando as coisas como as coisas são
Eu me desenho, amor, como se pinta um quadro novo com o brilho e a cor
De todo homem de trinta. . . Trinta moleques que o tempo criou
E muito embora eu não sinta
Eu sei que eu sou o que eu fui e o que sou

Tenho almoçado e jantado
Tenho tomado café da manhã
Barra pesada não, muito obrigado
Tenho levado uma vida sã
Tenho tomado algumas
E tenho amado uma mesma mulher
Eu tenho andado sem turma

Mas solitário eu sei que não dá pé. . .

                                               

segunda-feira, 7 de julho de 2014

SANGRANDO - GONZAGUINHA



                                         



        Faixa do disco "De volta ao começo", música visceral, profunda e corajosa.
        MarcosRodrigues trabalha em seu texto a parte da “transpiração” no processo de composição musical, a principal. Sem execução não há produto, como diz a bíblia: - No início era o verbo. Verbo é ação.
        A música “Sangrando” fala da parte emocional de uma letra de música, a entrega.
        Todo criador de arte, de qualquer uma de suas formas, só tem um trabalho digno de ser chamado de tal quando há entrega.
        Aristóteles já ensinava na antiga Grécia que arte é imitação, ou seja, verossimilhança. “Sangrando” tem todos esses elementos.
        Segue a letra da canção:

                                         
                                           SANGRANDO
                                           Música: Gonzaguinha
                                           Letra: Gonzaguinha
                                           Lp: De volta ao começo
                                           Ano:1980




Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se entregando

Coração na boca
Peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando

Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo

Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda a nossa emoção

E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante, cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar

Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar

      Podemos inferir que a letra fala do valor de uma obra original. Uma vida não é igual a outra.
Falar de erros, ideias e opiniões e nada mais do que se expor ao julgamento alheio.
      O compositor sincero usa sua vida como matéria prima, a emoção dos palcos onde o resultado do trabalho e executado.
      O refrão sugere a emoção extravasada em lágrimas.
      Não se pode  esquecer que além de conviver na periferia Gonzaguinha tinha posições políticas de esquerda, o que lhe rendeu diversas letras censuradas.
      O final da letra que ele encerra separando com uma virgula as palavras finais: “o que é amar.Resumindo, toda a canção é sua forma de amar.
      Amar é vida, vida é entrega, quando a pessoa se entrega é como se ela sangrasse.





sexta-feira, 25 de abril de 2014

Pavão Mysteriozo - EDNARDO



    Baixei em MP3 via “torrente” é claro, o Long Play (LP) de Ednardo intitulado “O romance do Pavão mysterioso”.
    O LP já identifica que Ednardo pertence ao grupo denominado “Pessoal do Ceará”. Além dessa particularidade o LP carrega o mesmo nome de um conto de cordel de João Melchíades Ferreira da Silva porém a palavra misterioso vem grafada com um “Y” em vez de “i” na primeira sílaba.
    Gramatiquices a parte, o LP traz o nome de um conto onde há praticamente quatro personagens. Dois irmão, uma bela  moça e um conde.
    Resumidamente, o conto trata da epopeia de um rapaz que se apaixonou por uma foto presenteada por seu irmão quando este fora viajar para conhecer o mundo e não ser como um inseto em volta da lâmpada.
    Quando o irmão do herói do conto lhe entrega a foto ele sai ao encontro de sua futura esposa e a fúria de seu pai, um conde malvado.
    Para ter êxito em sua empreitada o rapaz recebe ajuda de um inventor talentoso que lhe constrói uma espécie de helicóptero denominado “Pavão misterioso”.
    Na música de Ednardo, além da referência ao conto, é possível fazer inferências de crítica ao regime militar vigente na época e com o recrudescimento da violência com o Ato institucional número cinco (AI-5).
    Por incrível que pareça, a música agradou os setores apoiadores da ditadura militar brasileira e foi tema de abertura da novela “Saramandaia” exibida na rede Globo. Novela que tem como fio condutor um roteiro baseado na literatura fantástica.
    Alexandre Ayub em seu livro “A militarização das artes”, cita “Pavão Mysterioso” como um dos baluartes contra a truculência verde-oliva.

     A música é considerada sagrada pelos índios do xingu em rituais religiosos.
     Além de toda essa carga semântica,  “Pavão Mysterioso” de Ednardo é escrito com “Y” na primeira sílaba. .Será que poderíamos interpretar como um anagrama para “Myster Zóio” como o desenho da capa denuncia? Quem sempre espionou o Brasil e apoiou a operação “Condor”? Prefiro o Pavão.


PAVÃO MYSTERIOSO
Música: Ednardo
Letra: Ednardo
Lp: O romance do pavão mysterioso
Ano:1974



Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse teu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...

Pavão misterioso
Nessa cauda
Aberta em leque
Me guarda moleque
De eterno brincar
Me poupa do vexame
De morrer tão moço
Muita coisa ainda
Quero olhar...

Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse seu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...

Pavão misterioso
Pássaro formoso
No escuro dessa noite
Me ajuda, cantar
Derrama essas faíscas
Despeja esse trovão
Desmancha isso tudo, oh!
Que não é certo não...

Pavão misterioso
Pássaro formoso
Um conde raivoso
Não tarda a chegar
Não temas minha donzela
Nossa sorte nessa guerra
Eles são muitos

Mas não podem voar..

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

MANÁ - RODRIGO AMARANTE-



                                       Música: Maná
                                       Artista : Rodrigo Amarante
                                       CD: CAVALO
                                       ANO: 2013

    O CD “Cavalo” de Rodrigo Amarante tem a sonoridade que nos remete a uma bucólica manhã serrana de um “friozinho” gostoso com um sol acolhedor.
   Simbiose entre  ritmos e idéias o disco traz letras em inglês,francês e português.
   O humor do Cd está entre o pensativo e o viajante e podemos supor,nunca afirmar que temos um Amarante mais viajado,sofrido e evoluído e outros atributos que só o tempo decora uma alma, principalmente um artista.
   A viagem na letra será a música Maná.

Ê, maná
Hoje o ponto é pra cura de amor
Ê, maná, ô, má
Hoje a dança te quebra o feitiço
Deixa a porta bater
Deixa o vento levar
Quem não desce a ribeira
Não chega no mar
O amor é coragem
É feitiço da sorte
Mas o ponto mais forte
É saber se amar
Ê, maná
Hoje o ponto é pra cura de amor
Ê, maná, ô, má
Hoje a dança te quebra o feitiço
Ê, maná
Hoje o ponto é pra cura de amor
Ê, maná, ô, má
Hoje a dança te quebra o feitiço
Ê, maná
Hoje o ponto é pra cura de amor
Ê, maná, ô, má
Hoje a dança te quebra o feitiço


   Maná foi uma homenagem para a irmã de amarante chamada Marcela.
   Além de uma brincadeira fonética com o apelido da irmã “Ma” de Marcela,o maná tem sua significação na bíblia onde o maná é descrito como um alimento produzido milagrosamente, sendo fornecido por Deus ao povo Israelita, liderado por Moisés, durante sua estada no deserto rumo à terra prometida.
  Maná propõe uma libertação de vontade e desejo quando entoa “Deixa a porta bater/ Deixa o vento levar / Quem não desce a ribeira / Não chega no mar”.
 A sugestão é deixar acontecer quando ele atribui que na vida como no amor ter coragem para o desconhecido e acima de tudo se aceitar como sugere os versos “O amor é coragem / É feitiço da sorte / Mas o ponto mais forte / É saber se amar”.
Letra simples,profunda e direta é o que encontramos em maná.
O encantamento de ritmo que inicia em um Samba-roque com uma rabeca “Jorgemautnerniana” onde a sonoridade vai da senzala até a casa grande.  

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

MÚSICA DA PATULÉIA



   Estou ouvindo Almir Sater e seu disco “Sete Sinais”.
   Disco com uma boa introdução, bom começo para assimilar a bela cultura da região centroeste. Cultura que está sendo sufocada pela indústria do entretenimento descartável.
   O dito sertanejo universitário, arrocha, funk e outras subcategorias musicais tem sua lógica calcada no descartável e consumo fácil.
   Claro que há exceção, Mc Leonardo, Katia com K e uma meia dúzia de gatos pingados, mas, a maioria está inconscientemente a serviço do consumo burro, fácil e esquecível. Sim esquecível, pois, o povo está com uma memória cada vez mais curta como um disquete dos anos 80.
   Antes de mais nada esclareço que o funk  citado nada tem haver com  o funk da música negra dos anos 70. Nada contra a indústria do entretenimento. Até por que é através do lúdico que será possível que será possível fazer as pessoas adentrarem em um universo cultural e intelectual mais amplo e complexo.
O problema reside nas massas adormecidas que consomem apenas entretenimento sem nenhuma pretensão de elevar sua cultura " Rir é o melhor e único remédio".
  O humor de bordão nunca saiu de moda. O palavrão causa catarse quando pronunciado pelas músicas sertanojentas das massas. Exemplo: bebo pra carai! A patuleia quase goza por pronunciar caralho disfarçadamente.
   E o que dizer de um senhor com mais de cinquenta anos, ares rudimentares de um trabalhador de fazenda cantando o refrão – “prepara...” da nova musa do funk, Anita.

  O senso comum está apodrecendo e nos cercando. O bom que tem porcarias que desaparecem como um passe de mágica. Michel Teló sumiu. Graças a Deus!