segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
MANÁ - RODRIGO AMARANTE-
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
MEU AMIGO PEDRO - Raul Seixas
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
O FILHO QUE EU QUERO TER - Toquinho e Vinícius


É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer
De repente eu vejo se transformar num menino igual à mim
Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu
Existem músicas que falam por sí só, caso desta pérola da MPB de nosso poeta Vinícius de Moraes.
Essa letra se deu quando Toquinho pelos idos de 1974 confessou a Vinícius o desejo de ter um filho.
Vinícius respondeu:
-Que ótimo! Vamos sonhar com esse momento.
Na letra ele desacreve o sonho de ver um bebê no berço, cenário paterno perfeito do tão sonhado acalanto que todo pai faz.
Em estrofes seguintes descreve as semelhanças que os pais procuram reconhecer no filho seja de sangue ou não. A fase dos porquês e todas as dúvidas da infância e adolescência que os pais sentem em relação aos seus filhos.
Já na estrofe final se mostra a obra prima.
Todos nós vamos morrer e seu filho continuará nessa vida.
Sentir a barba de seu filho já adulto a beijar seu rosto e ver escurecer lentamente seus olhos sendo fechado pelas mãos dele lhe dano último adeus.
Muita emoção em um poeta só.
sábado, 25 de abril de 2009
Terceira do Plural (Engenheiros Do Hawaii)
Corrida pra vender cigarro
Cigarro pra vender remédio
Remédio pra curar a tosse
Tossir, cuspir, jogar pra fora
Corrida pra vender os carros
Pneu, cerveja e gasolina
Cabeça pra usar boné
E professar a fé de quem patrocina
Eles querem te vender...
Eles querem te comprar...
Querem te matar (a sede)
Eles querem te sedar!
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Quem são eles?
Quem são eles?
Corrida contra o relógio
Silicone contra a gravidade
Dedo no gatilho, velocidade
Quem mente antes, diz a verdade
Satisfação garantida
Obsolescência programada
Eles ganham a corrida
Antes mesmo da largada
Eles querem te vender...
Eles querem te comprar...
Querem te matar (de rir)
Querem te fazer chorar
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Quem são eles?
Quem são eles?
Vender...comprar...
Vendar os olhos...jogar a rede...contra a parede
Querem nos deixar com sede,
Não querem nos deixar pensar!
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Quem são eles?
Quem são eles?...
Humberto Gessinger é um exímio letrista. Ele brinca com a disposição e o aspecto frasal, formulando verdadeiras charadas de múltiplos e geniosos sentidos; a ambiguidade é o toque artístico ímpar do compositor gaúcho.
A música “Terceira do Plural” é um ataque aos “grandes ocultos”, referidos, indeterminadamente, como “eles” – pronome muito corriqueiro em filosofadas de boteco a respeito dos detentores do poder ou das teorias de conspiração que governam o mundo.
Na primeira estrofe, fica clara a seqüência lógica imposta pelo capitalismo publicitário. Já na segunda, existe uma interessante imagem: “Cabeça pra usar boné E professar a fé de quem patrocina”. Ou seja, há uma massa ignara que faz uso de seu atributo intelectual apenas para dar valor às marcas que ostenta.
O que mais chama a atenção na letra é o refrão, que mostra como o consumidor, em verdade, nada mais é do que um produto, assim como os que consome. Na passagem “Eles querem te vender” pode ser feita a interpretação tanto como o desejo de vender produtos ao consumidor, quanto como o de o próprio consumidor poder ser vendido, usado como moeda de troca pelo consumismo. Trocando em miúdos, seria mais ou menos como se os patrocinadores das corridas de carros vendessem seus consumidores – os tele e os não tele espectadores – aos patrocinadores das indústrias tabageiras, e estes, por sua vez, às indústrias de farmacos. Um ciclo perfeito, fazendo rotar não os produtos, mas sim os consumidores.
A partir da quinta estrofe, é feita uma descrição da lógica consumista fútil e irracional, implantada quase à força na sociedade. A expressão “time is money”, sintetiza a ideia da “Corrida contra o relógio” dos tempos modernos.
Contra a televisão e à mídia se abate a passagem “Quem mente antes, diz a verdade”; pois, na atualidade, com a velocidade instantânea da transmissão de informação, qualquer fato que for divulgado massivamente, em pouco tempo vai ser tido como verdadeiro por todo o mundo, mesmo sendo de conteúdo falacioso.
“Querem nos deixar com sede, Não querem nos deixar pensar!” aí o consumidor é tratado como um fantoche, facilmente manipulável – inclusive por mensagens subliminares – estando sedado para os acontecimentos, completamente passivo ao que ocorre, um robô adestrado para consumir.
Essa música é uma boa palhinha do poder de fogo sutil e corrosivo de Gessinger.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
SINDROME DE ABSTINÊNCIA (Nei Lisboa)
Gravado em junho e julho de 1983 em são Paulo.Disco feito por bônus (Compra antecipada) pela "Lance Livre" produções.
SINDROME DE ABSTINÊNCIA
Se essa seca durar mais um mês
Vou-me embora para o Paraguai
Vou de muda para o Maranhão
Que aqui não tem vez
Que aqui não dá mais
A cabeça não 'güenta não
Dias de outono, de amargura
Lembro dos tempos de fartura
Maria, Joana, todo mundo tinha
Um quarto só pra nós
Um quarto pros convivas
Cabeças tão ativas
Todo mundo dando vivas
Se essa seca...
*
*
*
*
Música que fala da escasses de "fumo' no Rio grande do Sul nos anos oitenta, por isso ele cita maranhão e paraguay como possíveis oásis dos adoradores da expanção mental.
O apelo mais dramático e engraçado é quando ele clama por "Maria Joana".
Uma época em que todos tinham um quarto de fumo para fumar e delirar e todos davam vivas, paracendo um cenário de "Hair" gaudério.
Muito divertida, apesar que Nei Lisboa está mais calmo em relação a isso.
Disco:Pra viajar no cosmos não precisa gasolina
Ano 1983
Nei Lisboa:Voz
Augusto Licks:guitarra, violão, charango e vocais
Glauco Sagebin: Piano
Lucio Vargas: Baixo elétrico
Fernando Paiva:tumbadoras
Marco Bosco:Reco-reco, Claves e efeitos
Claudia Figueiredo: Vocais
Naná Correa : Vocais


